terça-feira, 25 de março de 2008

MÁQUINAS INVENTADAS PARA QUEBRAR CÓDÍGOS NA 2ª GUERRA MUNDIAL

A criptografia é a ciência que se dedica a esconder mensagens utilizando códigos secretos para este fim. Em contrapartida, a arte de decifrar os códigos é conhecida como criptoanálise. Porém, estas atividades não são recentes, ao contrário, existem relatos que os Egípcios já se utilizavam de algumas técnicas rudimentares para esconder informações. Ao longo de toda a história, existem relatos de que governantes e exércitos utilizaram diversas técnicas para impedir que adversários e inimigos descobrissem informações de interesse.

Na história contemporânea, o fim da 1ª Guerra Mundial foi estabelecido com o Tratado de Versalhes a Paz dos Vencedores, pelo qual dividiu o território da Alemanha por um corredor de terras que dava acesso para o mar à Polônia. Em virtude disso, nos anos que se sucederam, os militares poloneses, vislumbrando o exército alemão como provável contendor, se especializaram nas técnicas de criptoanálise dos códigos e cifras alemães. Neste contexto, em 1932 os militares poloneses conseguiram quebrar as cifras da máquina Enigma utilizada pelos alemães para cifrar mensagens. Além disso, os poloneses desenvolveram técnicas e máquinas, como o Bomba e o Cyclometer, para auxiliar nas atividades de inteligência.

O conhecimento adquirido pelos poloneses foi compartilhado com as inteligências britânica e francesa nos anos que antecederam a 2ª Guerra Mundial. Particularmente os britânicos aperfeiçoaram as técnicas aprendidas e utilizaram durante toda guerra no Bletchley Park, local destinado a acomodar parte do Serviço de Inteligência Britânico, para quebrar as mensagens criptografadas pelos alemães.

Bletchley Park era formado por volta de 9000 pessoas com capacidades específicas para aproveitar o conhecimento compartilhado dos poloneses. Junto ao time de especialistas estavam Alan Turing e Gordon Welchman que generalizaram o dispositivo polonês conhecido como “Bomba” tornando-o mais flexível e poderoso para a quebra dos códigos do Enigma. Este dispositivo ficou conhecido como a Bomba Turing. Nos anos seguintes, novos dispositivos foram criados e aperfeiçoados para fazer face ao desenvolvimento do sistema de cifras alemão. A máquina Tunny permitiu a quebra dos códigos criptografados pela máquina alemã Lorenz Schlussel-zusatz. Isto também foi possível por um erro do radioperador que transmitiu mensagens com a mesma posição de chaves do sistema criptográfico.

Em virtude dos desenvolvimentos alcançados em Bletchley Park, ao longo do ano de 1944, os ingleses produziram uma máquina chamada de Colossus I e II para ajudar no trabalho de decodificação de mensagens. A grande inovação das máquinas inglesas era o sistema de funcionamento elétrico que permitia emular as combinações das engrenagens dos sistemas criptográficos alemães através de válvulas que simulavam portas exclusive OR. Mais surpreendente ainda, os ingleses, com o intuito de aumentar a velocidade de processamento, conseguiram estabelecer um arranjo de máquinas que permitia um fluxo de bits em paralelo durante ciclo de trabalho, inicio do processador paralelo. Apesar do sucesso alcançado com o Colossus, Churchill, temendo que o conhecimento adquirido caísse nas mãos dos russos, determinou a destruição de praticamente todas as máquinas e a classificação das informações de Bletchley Park.

A construção de máquinas utilizadas na 2ª Guerra Mundial para quebrar códigos e cifras dos alemães é notável. Trabalho iniciado pelos poloneses, em virtude da conjuntura bélica que cercava o país, e aperfeiçoada pelos ingleses em Bletchley Park permitiu o desenvolvimento de mecanismos computadorizados fruto do trabalho profícuo dos melhores matemáticos, estatísticos, engenheiros e criptologistas ingleses. Apesar do surpreendente avanço tecnológico, pouco conhecimento foi divulgado em face do sigilo que envolvia toda a atividade e dos métodos de classificação das informações. Todavia, podemos inferir que o ser humano pode ser o lado mais fraco do sistema, pois permitiu que um procedimento inadvertido propiciasse a quebra de cifras alemãs. Além da postura confiante da Alemanha que os seus códigos não poderiam ser quebrados.


Bibliografia:

HOBSBAWN, Eric. Era dos Extremos: O breve século XX: 1914-1991. pp. 127-132. 2ª edição. Companhia das Letras: São Paulo, 1997.

PLIMMER, Beryl. Machines Invented for WW II Code Breaking. pp. 37-40. Vol 30 Nº 4 SIGCSE Bulletin. December 1998.

Nenhum comentário: